Sinto-me um verdadeiro actor.
Quando estou sozinho, exteriorizo a raiva toda que está dentro de mim, mas à frente de quem quer que seja, estou em constante representação, em que a personagem é um adolescente de 16 anos que está de férias e aparenta felicidade.
Sozinho, penso em tudo e em todos, sinto a raiva toda com que ando a querer sair, e só me apetece agarrar em tudo o que parta e mandá-lo contra a parede, apetece-me pegar no telemóvel e no computador e mandá-los pela janela, apetece-me a mim próprio sair pela janela, ir em direcção às árvores e andar até me doerem as pernas e os pés, deixar para trás tudo e todos, e refugiar-me longe da confusão. À noite, dou voltas e voltas na cama, sem conseguir adormecer, e de manhã, acordo e adormeço, vezes sem conta, e entretenho-me a olhar para o telemóvel, a ver as horas passar. Agora, talvez entenda as pessoas que se cortam de propósito…a dor física atenua a psicológica.
Felizmente tenho um certo auto-domínio e mantenho uma certa lucidez, que me permitem não fazer nada do que escrevi em cima.
À frente das pessoas, a personagem tem um espírito diferente. Sorrio, tento manter a calma, tento fazer com que os outros se sintam bem. Tento não “rebentar” e descarregar em ninguém, porque não têm culpa, aliás, nem sei bem quem tem culpa disto. A única coisa que sei é que a minha vida estava a correr mais ao menos bem, e de um momento para o outro deixou de estar, e eu nem me apercebi disso, nem tive tempo para fazer o que quer que fosse para o impedir. Nestes últimos dias eu não caminho, eu não ando, simplesmente… vagueio.
Casanova
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário